Viajes de un cosmopolita extremo

“En companhía del actual director y médico de Martín García, doctor Prudencio Plaza, diríjome a la Boca, en donde está listo el vaporcito Jenner del Departamento Nacional de Higiene…”

Pergunte a um jovem qual é seu sonho de consumo. É provável que a resposta seja viajar. Pergunte a um adulto. Também é possível que, além da casa própria ou do carro, desbravar novos horizontes esteja na lista de prioridades. O que seria tão atrativo nesta experiência que faz com que seja algo tão desejado?

Reseña en español abajo

Tanto como pôr os pés em grandes cidades, lugares místicos o exóticos, explorar a natureza, aprender um novo idioma ou conhecer os costumes de um povo, o que se busca é uma experiência de vida que contribua para o crescimento pessoal e amplie perspectivas individuais que possam promover mudanças na vida diária.

Os que hoje se lançam em aventuras pelo mundo afora podem compartilhar quase que instantaneamente. Mas consideremos agora outro tempo e espaço. Uma viagem no fim do século XIX, começo do XX, por exemplo. Imaginemos partir de um pequeno país na América Latina. As distâncias não eram percorridas de avião mas em navios a vapor. A comunicação não se fazia através das mídias sociais nem tampouco eram instantâneas mas remotíssimas.

É possível ser um cosmopolita nessas circunstâncias? A resposta é sim, é possível. Viajes de un cosmopolita extremo reúne as crônicas do poeta nicaraguense Rubén Darío que conta seus deslocamentos pela América e Europa. A prova incontestável que a vida de uma pessoa não é a mesma quando parte em busca de novas experiências está em que Darío é reconhecido hoje por sua grande contribuição intelectual ao Modernismo, movimento literário na América Hispânica, considerado o seu máximo representante ou o Príncipe de las letras castellanas.

Ruben Dario 1

Rubén Darío nasceu em 1867 em Metalpa, hoje Ciudad Darío, na Nicarágua. Além dos primeiros versos que escreveu inspirado por leituras clássicas como Dom Quixote, As mil e uma noites, a Bíblia e obras do francês Victor Hugo, quando ainda era uma criança, começou a publicar em jornais e revistas. Em 1882, passou um breve período em El Salvador onde desenvolveu o uso de técnicas que chegariam a representar as características de sua escrita. Depois de voltar para Nicarágua, parte novamente desta vez a Chile onde começa sua peregrinação. E aí escreve e publica sua grande obra poética Azul, considerada o ponto de partida do modernismo hispano-americano que nasceu inspirado pelas estéticas francesas do Parnasianismo e do Simbolismo. O Modernismo se estendeu desde o fim do século XIX até o começo do século XX. A cor azul e o cisne eram considerados símbolos desse movimento. O azul representava a liberdade, o ideal, o celeste. O cisne simbolizava as formas perfeitas, a beleza, o erotismo que também se buscavam na poesia.

A figura de Rubén Darío, conhecida no movimento, despertou o interesse de muitos analistas como Graciela Montaldo. Viajes de un cosmopolita extremo é uma seleção de crônicas organizada por ela, Doutora em Letras pela Universidad de Buenos Aires. Além da organização, o prólogo de Montaldo é o ponto de início para compreender sua intenção, ou seja, apresentar a visão de Darío diante dos grandes centros urbanos dentro e fora da América Latina, inspiradores de um processo de modernização pelo qual as cidades latinas buscavam parecer aos centros europeus.

Tapa Padeletti

Além de seu trabalho como poeta, Darío também escreveu para grandes jornais, como o La Nación na Argentina, assim como também viajou em missão diplomática como cônsul do seu país. Nesse momento, para esses intelectuais poetas não era possível viver somente dessas atividades restritas (o que não parece ser muito diferente ainda hoje em dia) mas era muito normal acumular o jornalismo e a diplomacia para poder se sustentar razoavelmente.

“En sus crónicas, Darío escribió sobre muchos de los temas que podían interesar a un lector moderno e educado: política, arte, literatura, vida cotidiana, actualidad, notas de color, chismes.”

Montaldo não separa as crônicas por país mas em três eixos principais. Na seção chamada Geopolítica y Cultura, Darío é um observador da cultura local considerando uma visão mais profunda das pessoas e do ambiente. Em Archivo y Experiencia, parte-se das informações já conhecidas para comparar com a experiência real. Na terceira parte, Espetáculos, Montaldo também classifica como crônicas sobre a cultura ainda que as interprete como massivas ou eventos de diversão pública que englobariam uma maior quantidade de pessoas.

Após a ultima crônica, apresenta-se uma cronologia de viagens que permite ter uma visão dos principais momentos da vida de Darío somados aos tours e desde aí se nota o quanto viajou: Chile, El Salvador, Guatemala, Costa Rica, Argentina, Brasil, México, Uruguai Cuba, Espanha, França, Alemanha, Áustria, Hungria, Itália, Inglaterra, Bélgica, Estados Unidos.

Se por um lado Darío viajava muito, por outro é importante destacar que seu olhar não era de um turista. Seu olhar tinha outras lentes que podiam variar entre a do poeta, do jornalista, do curioso mas essencialmente tinha como base a cultura em sua definição mais profunda considerando não somente as artes mas também as ideias, os costumes, os valores, o comportamento, ou seja, o que se considera socialmente transmissível de uma geração para outra. Sempre buscando os detalhes mais além de uma rápida visita.

Darío não escrevia diários de viagem. Eventualmente podia consultá-los mas suas crônicas aprofundam as temáticas, convidam o leitor a querer algo más que um passeio e desde aí sugere a verdadeira integração que se necessita quando se quer merecer o título de cosmopolita.

O valor de Viajes de un cosmopolita extremo está na possibilidade de viajar com a leitura. Nesse caso, não somente no espaço, mas também no tempo. Conhecer de um ponto de vista muito privilegiado o que se passava fora da América Latina e que tanto despertava interesse por aqui naquela época, porque tanto ontem como hoje, o desejo de viajar começa na literatura que lemos.


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Título: VIAJES DE UN COSMOPOLITA EXTREMO

Autor: RUBÉN DARÍO – Selección y prólogo de Graciela Montaldo

Gênero: Crônica

Nr. Páginas: 391

Ano: 2013

Editora: Fondo de Cultura Económica

ISBN: 9789505579976

Para ver o link do livro na página do Fondo de Cultura Económica, clique aqui.


Reseña en español

Si se pregunta a un joven cuál es su sueño de consumo, es probable que la respuesta sea viajar. Si se pregunta a una persona adulta, también es posible que, además de la casa propia o del auto, conocer nuevos horizontes esté en la lista de prioridades. Cabe entonces preguntarse: ¿Qué hace que una experiencia como el viaje sea algo tan atractivo?

Poner los pies en grandes ciudades, lugares místicos o exóticos, explorar la naturaleza, aprender un nuevo idioma o conocer las costumbres de la gente, constituyen algunos de los preciados objetivos de un viaje.

Los que hoy se lanzan en aventuras por el mundo afuera pueden compartirlas casi instantáneamente. Sin embargo, muy distinto era un viaje a fines del siglo XIX y comienzos del XX. Imaginemos partir de un pequeño país en América Latina. Las distancias no eran recorridas en avión sino en navíos a vapor. La comunicación no se hacía a través de medios sociales instantáneos sino remotísimos.

¿Sería posible ser un cosmopolita en estas circunstancias? La respuesta es afirmativa como se advierte en Viajes de un cosmopolita extremo que reúne crónicas del poeta nicaragüense Rubén Darío, quien cuenta sus recorridos por América y Europa. La prueba incontestable de que la vida de uno no es la misma cuando parte en la búsqueda de nuevas experiencias fuera de su reducto está en que Darío es reconocido por su gran contribución intelectual al Modernismo, movimiento literario en la América Hispánica, como su máximo representante o el príncipe de las letras castellanas.

Rubén Darío nació el año 1867 en Metalpa, hoy Ciudad Darío, en Nicaragua. Además de los primeros versos que escribió inspirado por lecturas clásicas como El Quijote, Las mil y una noches, la Biblia y obras del francés Víctor Hugo, cuando aún era un niño, Darío los publicó en periódicos y revistas. En 1882, Darío pasó un breve período en El Salvador donde desarrolló el uso de técnicas que llegarían a representar los rasgos de su escritura. Tras volver a Nicaragua, partió nuevamente esta vez a Chile donde empezó su peregrinación. Ahí escribió y publicó su gran obra poética Azul (1888), considerada el punto de inicio del modernismo hispanoamericano. Este nació inspirado por las estéticas francesas del Parnasianismo y Simbolismo. El Modernismo se extendió desde fines del siglo XIX hasta comienzos del siglo XX. El color azul y el cisne eran considerados símbolos de ese movimiento. Por un lado, el azul representaba la libertad, el ideal, el celeste. Por otro lado, el cisne simbolizaba las formas perfectas, la belleza, el erotismo que también se buscaban en la poesía.

La figura de Ruben Darío, enmarcada en el Modernismo, concitó el interés de numerosos analistas tales como la Doctora en Letras por la Universidad de Buenos Aires, Graciela Montaldo, quién organizó una selección de crónicas de Rubén Darío en Viajes de un cosmopolita extremo. Además de la organización, el prólogo de Montaldo es el punto de partida para comprender su intención, o sea, presentar la visión de Darío ante los grandes centros urbanos dentro y fuera de América Latina, inspiradores de un proceso de modernización por lo cual las ciudades latinas buscaban parecer a los centros europeos.

Además de su oficio como poeta, Darío escribió para grandes periódicos, como La Nación en Argentina y viajó en misión diplomática como cónsul de su país. En este momento los intelectuales poetas no podían vivir de estas restrictas actividades (lo que aún no parece ser muy diferente hoy en día) pero era normal que se acumularan jornadas de trabajo con el periodismo y la diplomacia para lograr sostenerse razonablemente.

“En sus crónicas, Darío escribió sobre muchos de los temas que podían interesar a un lector moderno y educado: política, arte, literatura, vida cotidiana, actualidad, notas de color, chismes.” – Graciela Montaldo

Montaldo divide las crónicas no por país sino en tres ejes principales. En la sección llamada Geopolítica y Cultura, Darío es un observador de la cultura local considerando una visión más profundida de la gente y del ambiente. En Archivo y Experiencia, se parte de las informaciones ya conocidas para comprobar con la experiencia real. En el tercer eje, Espectáculos, Montaldo también clasifica como crónicas sobre la cultura pero la que se interpreta como masiva o eventos de diversión pública que abarcarían una mayor cantidad de personas.

Tras la última crónica, Montaldo presenta una cronología de viajes que permite tener una visión de los principales hitos de la vida de Darío sumados a las giras y desde ahí se nota cuánto ha viajado: Chile, El Salvador, Guatemala, Costa Rica, Argentina, Brasil, México, Uruguay, Cuba, España, Francia, Alemania, Austria, Hungría, Italia, Inglaterra, Bélgica, Estados Unidos.

Si por un lado Darío viajaba mucho, por otro es importante señalar que su mirada no era la de un turista. Su perspectiva tenía otras lentes que podrían variar entre la del poeta, del periodista, del curioso pero esencialmente la mirada que tiene por base la cultura en su definición más profunda considerando no solamente las artes sino también las ideas, las costumbres, los valores, el comportamiento, o sea, lo que se considera socialmente transmisible de una generación a otra, siempre buscando los detalles más allá de una rápida visita.

Darío no escribía diarios de viaje. Eventualmente los podría consultar pero sus crónicas profundizan las temáticas, invitan al lector a querer algo más que un recorrido y desde ahí sugiere la verdadera integración que uno necesita cuando quiere merecer el título de cosmopolita.

El valor de esta obra está en la posibilidad de viajar con la lectura, no solo por el espacio sino también por el tiempo; conocer desde un punto de vista muy privilegiado lo que pasaba fuera de la América Latina y que tanto despertaba interés por acá en aquella época, porque tanto ayer como hoy, el deseo de viajar comienza en la literatura que leemos.

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