The 42nd St. Band

“1955 – Nascem os três gênios do rock que mais tarde irão formar a 42nd St. Band…”

The 42nd st band é tão somente um romance de uma banda de rock imaginária escrita por um menino que, aos 15 anos, é acometido por uma doença óssea que o impede de andar. O nome do menino? Renato Manfredini Jr.

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Se você pertenceu a Geração coca-cola, se você veio antes ou depois dela; se embalou sua juventude ao som de Tempo Perdido, Pais e Filhos, Faroeste Caboclo, Será, Que país é este?, entre tantas outras; se Legião Urbana fez parte da sua trilha sonora, não importa. Com certeza, vai se emocionar e se surpreender com essa espécie de mundo paralelo criado por Renato Russo que, de uma certa forma, tornou-se realidade alguns anos depois.

Não espere de The 42nd st band algo convencional. Considere a circunstância vivida pelo seu jovem autor que usou a imaginação para viver seu sonho mas que não se contentou em imaginar e resolveu escrever. Desse processo, em fragmentos, surgiu o romance que, para chegar aos leitores, foi cuidadosamente organizado pelo Poeta, Professor e Advogado Tarso de Melo. Além da organização, também precisou ser traduzido já que Renato o escreveu em inglês, idioma que aprendeu no período em que viveu com a família nos Estados Unidos.

Também não se trata de uma escrita muito trabalhada. Ela é como ele pensa. Considere novamente a idade do menino mas fique atento aos detalhes porque sua mente já reflete a inquietude típica de suas canções assim como a irreverência de seu comportamento. Sua personalidade já é visível e este é um dos motivos que justificam a leitura: o ídolo ainda em estado bruto.

Quando começou a escrever, em 1975/76, por volta dos 15 anos, Renato já havia regressado ao Brasil e vivia em Brasília. Segundo sua biografia no site oficial, sua produção começou ao mesmo tempo com a literatura e com a composição de letras. Mas parece que o que o movia, definitivamente, era a música e essa estava presente na história que começou a surgir. Ele idealizou a banda e criou os integrantes sendo Eric Russel seu alter ego. Além de músico e compositor, Eric também elaborou obras de ficção e filosofia. Seu sobrenome, inspirado em Bertrand Russell e Jean-Jacques Rousseau, saltou da imaginação para a vida real e substituiu o Manfredini no nome artístico de Renato.

A banda imaginada não está no contexto das bandas que se formaram no Brasil nos anos 80, como foi o caso da Legião Urbana. Possivelmente influenciado pelo ambiente musical dos anos 70 e pela sua experiência de morar fora, Renato fez Eric ser inglês e os demais personagens da formação original da banda, americanos.

Embora a história não seja encadeada, na primeira parte, chamada A história da banda, percebe-se que o pensamento era o de criar as personagens dando-lhes uma trajetória desde que nascessem, seus momentos na banda em suas diferentes formações até o fim. Renato criou detalhes de como se conheceram, como conviviam, os relacionamentos amorosos, os bastidores do ambiente comercial e artístico. À este mundo imaginário, adicionou a realidade como por exemplo a influência musical dos personagens através de vários artistas e bandas como Beach Boys, Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix, The Who; o comportamento da época, marcado pelos movimento hippie e o uso de drogas.

Na montagem desse cenário, Renato se utiliza não somente de uma narrativa simples mas também faz uma coletânea de informações como se fosse um fã a juntar todo o material disponível de sua banda favorita. Ele agrega entrevistas dos integrantes para a Rolling Stone, diálogos e papos de palco; disponibiliza letras de músicas, detalha a vida familiar dos integrantes, menciona gravações de ensaio e turnês como se estivesse onipresente em todas as situações. Na segunda parte, Resumo da ópera, mais compilações com cronologias, discografia, capas de álbuns, turnês pelo mundo com muitos detalhes. O conjunto da obra parece querer levar o leitor da ficção diretamente para um documentário.

A experiência de ler The 42nd st band é uma viagem e mescla ingenuidade e realidade. As aventuras da banda são próprias de um menino que sonha viver exatamente essas experiências e se projetou nelas em um momento de introspecção forçada. O que faz a diferença é que elas se tornaram realidade. Renato apostou nesse sonho e ele simplesmente aconteceu. The 42nd st band poderia ter sido um filme, como na canção, mas foi um livro. Cada um que aproveite sua leitura para conhecer um pouco do Renato em Eric Russel.

Achei um 3×4 teu e não quis acreditar

Que tinha sido a tanto tempo atrás

Um exemplo de bondade e respeito

Do que o verdadeiro amor é capaz

A minha escola não tem personagem

A minha escola tem gente de verdade

Alguém falou de Fim-do-mundo

O fim-do-mundo já passou

Vamos começar de novo:

Um por todos, todos por um

O sistema é maus, mas minha turma é legal

Viver é foda, morrer é difícil

Te ver é uma necessidade

Vamos fazer um filme

E hoje em dia como é que se diz: “Eu te amo.”?


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Título em Português: THE 42ND ST. BAND – – ROMANCE DE UMA BANDA IMAGINÁRIA

Título Original: THE 42ND ST. BAND

Autor: RENATO RUSSO

Organização: Tarso de Mello

Gênero: Ficção

Nr. Páginas: 224

Ano: 2016

Editora: Companhia das Letras

ISBN: 9788535926569

Tradução: Guilherme Gontijo Flores

Para ver o link do livro na página da Editora Companhia das Letras, clique aqui.

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