Cartas brasileiras

“Espero que esta o encontre bem.”

Assim começa a apresentação do organizador Sérgio Rodrigues ao leitor de Cartas brasileiras. Talvez os mais jovens nunca tenham recebido uma carta e não entendam o simbolismo desta oração. Porém, os mais experientes entenderão…

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Eu, por exemplo, me lembro quando era criança e comprava uma revistinha que tinha uma seção de leitores que desejavam fazer novos amigos através da troca de correspondência. Fiz uma amiga assim e adorava quando sua carta chegava. A criança de hoje tem outros meios para comunicar-se.

Mas, voltando ao livro, ele me chamou atenção pela capa e pelo formato. Lembra um telegrama e me fez pensar em um tempo remoto. Hoje, vivemos a era dos correios eletrônicos, das redes sociais e dos aplicativos de mensagens instantâneas. A forma de comunicar mudou e continua mudando radicalmente. Ao folhear as páginas de Cartas brasileiras foi difícil resistir ao conteúdo e ao projeto gráfico. Abracei o livro e trouxe comigo para o Chile.

Antes mesmo da apresentação, ainda na capa, o subtítulo explica a proposta: 80 correspondências históricas, políticas, célebres, hilárias e inesquecíveis que marcaram o país. No sumário, percebe-se o cuidado com a seleção: cada carta é indicada com uma única oração, acompanhada  do remetente e o destinatário. Para dar exemplos, quem não reconhece algo como “Saio da vida para entrar na história”ou “A senhora não confia em mim”?

As descrições e a pesquisa iconográfica da obra merecem destaque. Ao longo do livro, cada carta é datada e explicada no contexto da sua época. Algumas são reproduzidas e outras são apresentadas em sua versão original, através da imagem da mesma, como a da menina Arcelina que escreveu para Juscelino Kubitschek em 1959 para pedir informação sobre Brasília para seu dever de casa. Alguns textos também são complementados com fotos de arquivo. Neste sentido, acho que o formato do livro, um pouco maior que o normal, ajuda muito na visualização do material reproduzido.

O leitor pode escolher uma leitura na ordem proposta ou aleatória. É possível que cada um busque ler o que lhe desperta mais curiosidade ou interesse. Acredito que o exercício de leitura seja um pouco como o trabalho do historiador… Ler as cartas e buscar as evidências do passado que colaborem para entender o presente.

E é muito difícil apontar cartas preferidas, mas vou tentar. Destaco a denúncia de Zuzu Angel, a despedida de Olga Benário, a leveza de Zélia Gattai e, ainda, a tristeza de Machado de Assis. Dentre tantos outros registros importantes, comoventes e curiosos.

Acredito que este seja um livro para manter por perto e abrir ao acaso de vez em quando. Só para ler as entrelinhas.


Gostou da resenha e quer ler o livro? Você pode acessá-lo clicando na imagem abaixo. Comprando pela Amazon, você me ajuda a manter a página e não paga a mais por isso.


 

Título em Português: Cartas brasileiras

Organizador: Sérgio Rodrigues

Gênero: Não ficção / Antologia: Cartas – História e Crítica

Ano: 2017

Editora: Companhia das Letras

ISBN: 978-85-359-2779-5

Páginas: 232

Capa: Raul Loureiro

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