Assim começa…

Sempre senti um certo impacto pelas primeiras palavras de uma obra, ou seja, o começo de um livro.

“Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira…”

Anna Kariênina  (Tolstói, 1877)

 

Me pergunto se o escritor ou escritora realmente começou literalmente pelo começo ou se essa inspiração veio depois.

“Meu irmão é adotado, mas não posso e não quero dizer que meu irmão é adotado…”

A resistência (Fucks, 2015)

 

Fato é que as primeiras orações de uma obra são para mim tão marcantes quanto seus títulos ou suas capas.

“Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos…”

Vidas secas (Ramos, 1938)

 

Por essa razão, optei por dar destaque a elas em cada post da página principal.

“Para andar, basta colocar um pé depois do outro. Não é complicado. Não é difícil. Dá para ter pequenas metas: primeiro só a esquina…”

Rakushisha (Lisboa, 2014)

 

Se escrevo minhas impressões para um leitor ou leitora que está decidindo por  um livro, gostaria que não fossem as minhas palavras mas as do próprio autor ou autora que se destacassem.

“Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba…”

Iracema (Alencar, 1865)

 

E que, um dia, as obras fossem lembradas por essas passagens únicas e inesquecíveis mais do que pelas suas próprias capas.

 

“Não nos lembramos das primeiras imagens e feitos da vida: do leite do peito, das grades do berço, do móbile que se mexe sozinho magicamente, de nos virar, não conseguir desvirar e chorar até alguém nos acudir…”

Ainda estou aqui (Rubens Paiva, 2015)


 

Em alguns casos, as citações iniciais estão em espanhol devido ao fato de que minha leitura foi de uma edição nesse idioma.

Em outras, houve uma exceção porque algum trecho pelo meio do caminho me marcou mais do que a oração inicial.

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